Publicado por: iranbernardes | maio 13, 2009

CALVÁRIO, LUGAR DE MINISTRAÇÃO EM FAMILIA

calvarioJoão 19:25-27

Por

Iran Bernardes da Costa

Grão de Mostarda

Ministérios Cristãos

Não Somos os Únicos, Mas Unicamente Discípulos

Os últimos momentos da vida de Jesus foram marcados por pessoas, fatos e atitudes dos mais comoventes. Por mais constrangedoras e ameaçadoras que fossem as circunstancias do Calvário, algumas pessoas marcaram ali a sua presença até o fim. Diante do trágico quadro de dor, vergonha, humilhação, traição e abandono, ainda assim, quatro mulheres acompanharam-no e permaneceram ao pé da cruz até o fim, para ali deixarem registrado para a eternidade, o fato de sua presença amável e corajosa ao lado de Jesus nos seus instantes da mais profunda dor física e moral.

Elas eram, Maria, a mãe de Jesus; uma irmã dela; Maria, a mulher de Clopas e Maria Madalena.

AS CIRCUNSTANCIAS PARA ELAS

Alguns comentários bíblicos sugerem que pelo fato de que mulheres naquela cultura e naquela época eram desprezadas, e nunca eram notadas nos lugares públicos tenha sido a razão daquelas quatro mulheres terem permanecido ao lado de Jesus ao pé da cruz. Assim podiam ficar ali sem correr risco algum pelo fato de terem alguma afinidade com Jesus, aquele que, aos olhos dos políticos e religiosos, era um revolucionário, agitador da ordem pública, condenado àquele tipo de morte.

Não. Esse comentário não resiste ao melhor juízo da interpretação histórica e ética . A verdade é que sempre era um grande risco para qualquer pessoa estar associada com algum criminoso, que os romanos julgassem merecedor de uma cruz. Era sempre um risco muito grande demonstrar afeição por alguém que os ortodoxos consideravam um herege. Um dos ódios mais cruéis é o ódio religioso.

A presença daquelas quatro mulheres, ao lado de Jesus, ali ao pé da cruz não foi porque elas eram consideradas sem valor e, assim, não seriam notadas. Não! A presença delas foi devida a um extraordinário fato, descrito pelo apóstolo João, primo do próprio Jesus. Em sua epístola ele, talvez se recordando daquilo que testemunhou naquela mesma ocasião, escreveu:  (1João 4:7-21).

QUEM ERAM AQUELAS MULHERES?

Aquelas mulheres, exceto a mãe de Jesus, eram umas companhias meio estranhas.

Uma delas era Maria, mulher de Clopas. Nada sabemos de sua vida a não ser isto, o fato de que estivera lá no calvário e presenciou tudo. Quase nada ficou registrado sobre a vida dessa mulher, mas ao menos seu nome consta da lista das pessoas que estiveram presentes à crucificação do Senhor. Isso parece pouco, mas na linguagem relacional tem um profundo significado. A presença fala e testifica, mesmo sem se falar uma única palavra.

Outra era Maria, a própria mãe de Jesus. Sua cabeça era um turbilhão só; não podia entender muita coisa naquela hora. “Meu filho, o justo, sendo condenado e agora, pregado nessa rude cruz! Não! Eu não posso entender!” Talvez a perturbação do momento não lhe permitisse mesmo, um melhor julgamento, mas ela podia amar. A presença dela ali era a coisa mais natural do mundo para uma mãe. Jesus poderia ser o mais vil  criminoso aos olhos da opinião pública, mas ele era seu filho.

Uma outra mulher ali presente foi uma tia de Jesus, irmã de Maria, a mãe dele. O Evangelho de João não a identifica por seu nome, mas um estudo comparativo dos Evangelhos nos dá uma pista do nome dela. De acordo com o Evangelho de Marcos o nome dela era Salomé, a mãe de Tiago e João (Mc. 15:40).

Uma coisa interessante sobre essa mulher e sobre o fato dela estar presente à crucificação do Senhor, é que ela, uma certa ocasião, houvera sido repreendida pelo Senhor Jesus. Isso ocorreu quando ela veio a Jesus e lhe fez um pedido meio absurdo. Ela teve a ousadia de lhe pedir que, na eternidade, ele reservasse para seus dois filhos os dois lugares mais proeminentes do seu reino. Que um deles estivesse à sua direita e o outro à sua esquerda (Mateus 20:20). Jesus, sem vacilar, lhe repreendeu e fê-la saber quão errado e ambicioso era tal pedido. Então, Salomé foi essa mulher repreendida, mas que mesmo assim, não se recusou estar junto dele naquela hora de sofrimento. Sua presença era sua maneira de dizer, “eu te amo”. Sua presença como linguagem relacional podia falar do seu amor, muito mais que as palavras podem transmitir. Estando ali, mesmo sem falar, estava dizendo, “eu não tenho ressentimento nenhum!” Muitas vezes as atitudes suprem outras formas de comunicação. Salomé estava demonstrando  sua humildade em aceitar a repreensão e ainda continuar amando incondicionalmente. Esta é uma lição para nós aprendermos mais e mais. Isso mostra que a repreensão dada por Jesus foi de tal maneira doce e cheia de amor, que os frutos de justiça agora estavam sendo colhidos. A presença de Salomé ao pé da cruz nos lembra de como devemos receber e como, às vezes, oferecer correção, em amor e sem guardar ressentimento.

Outra mulher presente à cruz foi Maria Madalena. Também sobre essa não temos muitas informações. Entretanto, sabemos que ela fora uma daquelas mulheres de quem Jesus havia expelido vários demônios, e que serviram a Jesus com os seus bens.

Bem, voltemos ao cenário da cruz. Maria Madalena está ali. Ela está ali por uma razão muito simples e muito importante – gratidão. Quando ela teve seu primeiro contato com Jesus ela era uma mulher infeliz, problemática e oprimida. Possessa de espíritos malignos. Provavelmente, por muitas vezes tenham se comportado agressivamente, ferindo e maltratando pessoas, trazendo danos até para si mesma, e muitas outras coisas ruins. A gente que já teve muita experiência em lidar com pessoas assim, sabe do sofrimento por que passam, da dor que sofrem e da vergonha e do estado de depressão que ficam. Agora ali está uma mulher regenerada, salva e liberta. Ela não tinha como se esquecer do que lhe fizera aquele humilde carpinteiro; aquele Galileu pobre e desprezível. Na vida daquela mulher havia-se cumprido as palavras de 2 aos Corintios 8:9 que diz, “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Ali está uma mulher enriquecida pala bondade e pela graciosidade daquele que deu a sua vida por ela e pelo mundo. Antes ela servia aos espíritos malignos e aos deuses deste muno, mas agora serve a seu novo e definitivo Senhor, o Senhor Jesus que a tornou livres das cadeias satânicas. Agora ela ali está, mesmo em silêncio, mas proclamando ao mundo sua eterna gratidão.  Ela era incapaz de se esquecer o Ele lhe fizera. Entre Maria Madalena e o Senhor Jesus havia uma relação de reciprocidade.  Ele, com seu amor a resgatou; Ela, com sua eterna gratidão, tornou-se uma prisioneira eterna. Na vida de Maria Madalena cumpriu-se a palavra de Deus que, agora ela podia recitar, “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3). Maria Madalena tinha no coração e na mente uma inscrição indelével, que diz”, Eu nunca esquecerei o que ele fez por mim”.

CONCLUSÃO

  1. Nesta passagem resta ainda algo de maior profundidade e de um amor eterno. Ali estava Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela naqueles instantes finais, Ele se lembra de um antigo dizer, “Uma mãe sustenta dez filhos, mas dez filhos não sustentam uma mãe”. Bem, ele era o mais velho. Seus irmãos, como sempre, eram indiferentes. Pensou, “e agora? O que será de minha mãe?” Então resolve de impulso, movido por uma inteligência afetiva, e sem cerimônia alguma, fazer uma ministração ali mesmo da cruz. Jesus olha em volta, até onde seus olhos pudessem alcançar; vê João e conclui, “é esse mesmo”. João reunia duas qualificações para o encargo que Jesus tinha para ele a partir daquela hora. Primeiro, João era seu primo, filho de Salomé; e em segundo lugar era um dos seus discípulos, o mais próximo, inclusive. Olha para ele! Olha para sua mãe! O texto diz melhor, “Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse, Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe” (João 19:26,27).  No seu momento de agonia, Jesus ainda se lembra de passar sua mãe aos cuidados de João e de passar João aos cuidados de sua mãe. Jesus trazia no coração a preocupação sobre quem poderia confortar sua mãe nos momentos de solidão. Ela precisaria de um arrimo. O texto sagrado afirma que, “dessa hora em diante, o discípulo a tomou para sua casa”. Jesus era o filho mais velho, e naquela hora da batalha cósmica, ele não se esqueceu do mais sagrado dos deveres. Ao final do dia, no desfecho da maior guerra, pendurado na cruz Jesus se preocupa mais com o bem estar dos outros do que dele mesmo.
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Responses

  1. É algo/trabalho maravilhoso que de simples fatos até então, se transformam em outras e grandes verdades.

  2. Glória à Deus por este ministério. Que o Senhor vos capacite cada vez mais. Que as sementes continem brotando e se tornando em outras árvores frutíferas para o nosso Deus.

  3. Pr. Iran estas palavras vieram direto do coração de Deus. Continue assim, nos liderando com este grande amor que tu tens por nós.


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